"Eis que faço novas todas as coisas..." Estas palavras do Apocalipse (21, 5), que se referem à última vinda de Cristo,podem ser aplicadas também à sua vinda "intermediária", como São Bernardo Abade chama o encontro espiritual do Senhor com nossa alma, nas visitas da Sua graça no tempo presente, como nosso repouso e consolação.
Todo começo de ano nos convida a refletir sobre o valor do tempo da nossa vida humana, vida tão breve e tão linda que,como gota de orvalho,reflete em si o céu e o brilho de sua luz, dando valor infinito a toda pequena escolha que fixa este nosso tempo no tempo sem fim, na vida plena que nos espera. Assim, a casa novo ano, a cada novo dia, nasce o desejo de recomeçar, de voltar à "primeira série" da escola do amor.
Jesus, nosso Mestre e Senhor, nos ensina que o amor é uma aprendizagem, que só o amor permanece e que existe no amor ao próximo vários "graus", caracterizados pelo "como" que a Palavra expressa: fazer novas todas as coisas... Recomeçar sempre!
● O primeiro é: "Amarás o próximo "como" a ti mesmo" (cf. Rm 13, 8-10).
● O terceiro é: "Amarás o próximo "como" o Cristo te ama" (cf. Jo 15, 9-24).
● O quarto é: "Amai-vos "como" a Santíssima Trindade se ama" (cf. Jo 17,21-23).
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 39; cf. Rm 13, 8-10)
Neste ano,queremos convidar a todo Movimento Aliança de Misericórdia, os amigos, os familiares, a voltar ao "começo de tudo", ao primeiro "grau do amor": "Ama o próximo como a ti mesmo". O texto do Bom Samaritano irá nos conduzir em nossa meditação. Lemos com atenção, em profunda oração, este maravilhoso trecho que encontramos em Lucas, capitulo 10,25-37
A Palavra de Deus nos ensina que o amor é recebido como dom do Alto , que não podemos amar sem deixar-nos amar,sem escutar,acolher, Aquele que nos ama e nos salva de toda escravidão, que a primeira exigência do amor é deixar-ser amar por Deus, até transbordar de amor para com Deus e com os outros (cf. Dt 6, 1ss).
É curioso,porém, perceber que perante a resposta de Jesus o mestre da lei, bom conhecedor da Palavra, não para perante a dificuldade de amar a Deus, sua dificuldade se coloca perante o amor do próximo, por isso questiona, querendo justificar-se. "E quem é o meu próximo ?" (Lc 10,29).
Esta dificuldade não apenas do mestre da lei.Lembro que um professor meu de Teologia, dizia 'É fácil engolir a Eucaristia, o difícil é engolir o irmão!" Realmente, nosso relacionamento com o irmão é a medida mais concreta do nosso relacionamento com Deus. Por isso, de forma clara, São João fala que a "resposta" do nosso amor a Deus está no amor ao irmão:
"Conhecemos o amor nisto: que Ele deu sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem,pois, tiver bens do mundo e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas estranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade" (1Jo 3, 16-18).
E conclui:"Aquele que não ama o irmão que vê como pode amar a Deus, que não vê
? Temos de Deus este mandamento: aquele que ama a Deus ame também o seu irmão" (1Jo 4, 20b-21).
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,39; cf Rm 13,8-10)
Um outro nosso professor de Teologia foi uma vez visitar a Terra Santa e nos contou que ficou encantado com o Santo Sepulcro, o túmulo onde o Corpo de Jesus foi deposto. Um dia, bem de madrugada, foi ao túmulo de Jesus para orar e no caminho encontrou um pequeno árabe que pedia esmola, mas ele, na pressa de orar, não deu nenhuma atenção àquela criança, Ajoelhando-se na frente do túmulo, ouviu interiormente o Senhor, que lhe dizia:"Você se ajoelha na frente de uma pedra, onde foi deposto o meu corpo morto, mas não me acolheu vivo naquela criança que você rejeitou "Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fizestes" .Ele começou a chorar e entendeu que toda a sua teologia e devoção não podiam salvá-lo. Precisava converter-se, voltar a ser criança na escola do amor, pois "não podemos amar a Deus que não vemos se não amarmos o irmão que vemos' (cf 1 Jo 4,20).
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 39; cf. Rm 13,8-10)
"Recomeçar é como renascer" , dizia um canto que e gostava de entoar quando jovem. Ainda o canto, e me "faz jovem". São João fala que quem ama passa da morte à vida (cf. 1Jo 3, 14). Amar é viver uma eterna juventude, é chegar à essência da fé, voltar ao essencial, à simplicidade, à transparência do coração.
Sabemos que todos os mandamentos da lei se resumem neste único preceito: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (cf. Rm 13, 8ss). Que bonito se todos nós, como um só corpo,voltarmos nossos olhos à atenção àqueles que sofrem do nosso lado, nas nossas famílias, na escola, no trabalho, nas calçadas das nossas ruas e, independente das estruturas, "normas" e de toda "prudência humana", escolhemos amar o próximo, simplesmente amar, com coração generoso e alegre. Esta "religião" é simples, transparente, luminosa. Esta "atenção" aos outros é o começo da santidade,como dizia Madre Teresa de Calcutá. Que lindo descobrir que a 'religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai está em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conversar-se puro desde século" (Tg 1, 27).
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,39; cf. Rm 13, 8-10)
Pe.João Henrique
Fonte:Aliança de Misericórdia: Palavra do Mês

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